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Viaturas autónomas, aposta no fim dos acidentes

Viaturas autónomas, aposta no fim dos acidentes

Há já alguns anos que as viaturas autónomas circulam pelas estradas e, atualmente, apesar da curiosidade que despertam, já não apresentam "a novidade". Mais do que a ausência de condutor estas viaturas prometem uma revolução no que diz respeito à segurança rodoviária e redução das mortes nas estradas.

 

As atuais tecnologias de assistência à condução e, no futuro, a viatura autónoma, contibuem para este objetivo e são já vários os intervenientes do setor a estabeleceram compromissos claros. A Volvo, por exemplo, fixou como objetivo reduzir o número de mortos a zero nos seus veículos até 2020 e a Google estima ser possível reduzir para metade a morte nas estradas graças às viaturas autónomas.

 

«Num futuro mais ou menos distante, poderemos certamente falar em ‘sinistralidade zero’, mas antes de alcançarmos esse feito, as viaturas autónomas terão de coexistir com a condução humana. Haverá uma fase de transição que não estará isenta de riscos, dado que o veículo totalmente autónomo terá dificuldades em prever comportamentos por vezes aleatórios, e muitas vezes potencialmente perigosos, dos automobilistas», afirma Diogo Lopes Pereira, diretor de marketing do Cetelem.

 

Este observador lançou recentemente um estudo onde analisou as viaturas autónomas como solução para lutar contra a mortalidade nas estradas. Mas, mesmo depois do início da comercialização, há que contar ainda com um período de convivência com os condutores humanos.

O eCall, sistema de urgência geolocalizada concebido para lançar um alerta para um centro de socorro em caso de acidente

De acordo com os dados disponíveis, o Homem é responsável por 90% dos acidentes. Num mundo de veículos totalmente autónomos, deixarão de existir condutores com comportamentos de risco: condutores alcoolizados, sonolentos ou distraídos.

 

Os dados da ANSR – Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, referem que no ano passado houve mais de 122 mil acidentes rodoviários em Portugal, que provocaram 478 mortos, 2.206 feridos graves e 37.958 feridos ligeiros.

 

Também haverá um risco associado à condução autónoma, mas muito mais controlada do que os erros humanos. É preciso lembrar que no passado mês de fevereiro, o Google Car foi pela primeira vez responsável por um acidente rodoviário, precisamente por não conseguir antecipar os comportamentos imprevisíveis do condutor de um autocarro. Ainda assim, esta foi a primeira, e até ao momento a única vez, que a viatura autónoma da Google falhou em mais dois milhões de quilómetros percorridos.

 

 

As novas tecnologias ao serviço da segurança

 

Enquanto se aguarda pela viatura autónoma, que permitirá, por exemplo, fazer uma viagem de Lisboa ao Porto enquanto decorre uma reunião, numa viatura totalmente equipada com rede de alta velocidade, os automobilistas contam com a ajuda das novas tecnologias para garantirem a segurança. Cada vez mais, o condutor está sob vigilância apertada e as novas gerações de automóveis vão permitir que este receba permanentemente informações sobre o seu comportamento de condução e, mais precisamente, sobre os riscos das suas ações. O abuso do álcool, o consumo de estupefacientes, a sonolência: os novos automóveis vão alertar o condutor sobre o seu estado antes de ir para a estrada, e mesmo bloquear o veículo em caso de comportamento inadequado.

 

O eCall, sistema de urgência geolocalizada concebido para lançar um alerta para um centro de socorro em caso de acidente, é outro exemplo de como a tecnologia pode servir a segurança. Neste caso, o foco não está na prevenção, mas na rápida atuação de socorro, crucial para minimizar os danos traumáticos e aumentar as hipóteses de sobrevivência. A partir de abril de 2018, será obrigatório que todas as viaturas novas comercializadas na União Europeia sejam equipadas com o sistema eCall. Nos EUA já existem sistemas deste tipo a funcionar.

 

Segurança, a prioridade dos automobilistas

 

Na última edição do estudo automóvel, o observador Cetelem procurou saber junto dos automobilistas que critérios uma viatura deve satisfazer prioritariamente. Os portugueses elegeram como prioridade a segurança das pessoas e dos veículos (78%). Entre os numerosos serviços/funcionalidades que satisfazem esses critérios, os mais mencionados pelos automobilistas em Portugal foram:

 

  • Sistema de manutenção preventiva que permite avisar o condutor em caso de avaria ou de problemas iminentes (95%);
  • Sistema de deteção de peões, ciclistas e outros obstáculos na estrada (92%);
  • Receber informações de auxílio à manutenção do veículo (83%);
  • Sistema de controlo do estado de saúde do condutor e transmissão destes dados para infraestruturas médicas em caso de urgência (82%).