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"O que vamos fazer quando milhões de pessoas ficarem sem emprego?"

"O que vamos fazer quando milhões de pessoas ficarem sem emprego?"

A pergunta é feita pelo homem do momento, Paddy Cosgrave, cofundador da Web Summit, que reúne em Lisboa mais de 50 mil pessoas. Num momento em que todos estão focados em novas aplicações tecnológicas e a realidade virtual assim como a inteligência artificial dominam as conversas, esta pergunta, dirigida aos governos, faz despertar as atenções. Afinal, a evolução tecnológica é uma realidade e dificilmente será travada. Por isso, afirma Paddy Cosgrave, “há conversas muito sérias que temos de ter".

 

 

Estas afirmações foram feitas durante uma conferência de imprensa, no Meo Arena, onde foi questionado sobre a relação da tecnologia com os humanos. "Nos últimos 100 anos foram desenvolvidas tecnologias que podem destruir todo o planeta ao mesmo tempo que criamos tecnologias que deviam tirar da pobreza pessoas que vivem em condições miseráveis", disse o cofundador da Web Summit

 

Para reforçar o seu ponto de vista, Cosgrave pegou na discussão existente entre taxistas e plataformas como a Uber ou Cabify. “Há conversas muito sérias que temos de ter. Há protestos no meu país (Irlanda) e noutros países entre as aplicações de partilha de transportes e taxistas sobre quem deve ter o direito de conduzir e isso é importante, mas muito mais assustador e importante é o que acontece quando não precisarmos de condutores?" 

É crucial uma discussão mais séria e célere sobre este tema para evitar aquilo que muitos cépticos consideram ser a concretização de uma profecia na qual as máquinas acabam por se sobrepor aos humanos. 

Num encontro onde se reúnem Startups, donos de ideias e mais de 1500 investidores, dispostos a colocar muitos milhões ao serviço do desenvolvimento tecnológico, estas afirmações podem parecer estranhas, principalmente por terem sido proferidas pelo mentor da Web Summit. Mas, tal como diz Cosgrave, perante a incerteza do futuro, convém tentar perceber o que vai acontecer nos próximos cinco anos. "O que é que vamos fazer quando milhões e milhões de pessoas na Europa deixarem de ter emprego ou uma competência que lhes permita voltar a ter trabalho?”, questionou.

 

Paddy Cosgrave pegou ainda que num inquérito realizado junto dos investidores presentes na Web Summit sobre se os governos estão preparados para o impacto da Inteligência Artificial nos postos de trabalho: "90% disseram que não e isso é assustador!”, exclamou.

 

O tema da "ascensão das máquinas" esteve em destaque noutro debate onde os oradores especialistas em robótica, asseguram que os ‘robots’ podem ajudar as pessoas fazendo as tarefas mais duras que ninguém quer, mas também poderão vir a ser um perigo para a sociedade.

As opiniões dividem-se, mesmo entre especialistas, reforçando a ideia que o debate ainda está no início, mais atrasado do que a tecnologia que irá permitir colocar no mercado robots humanóides. O professor universitário e diretor de várias empresas, Stuart Ellman, minimizou os receios de quem teme a invasão das máquinas, recordando os medos no tempo da revolução industrial.

 

"Durante a revolução industrial também havia algum receio de as máquinas se apoderarem dos empregos das pessoas, mas a verdade é que nessa altura os dias de trabalho podiam chegar a ter a duração de 15 horas e hoje isso é impensável", recordou o professor universitário, para quem as máquinas poderão mais uma vez ficar com "os trabalhos mais pesados, mais perigosos ou simplesmente que ninguém quer fazer".

 

E, acrescenta, "ninguém tem dúvidas de que muita gente será dispensada. A questão é se um futuro com uma forte presença de tecnologia será benéfico ou não".

 

Tal como já salientado por Angel Gurría secretário-geral da OCDE, em junho deste ano, a legislação e políticas nacionais, em todas as áreas, da Educação ao investimento, não estão a acompanhar a velocidade da inovação digital. Gurría fez este alerta perante os ministros de mais de 40 países durante a Reunião Ministerial sobre Economia Digital realizada em Cancun, no México.

O que é que vamos fazer quando milhões e milhões de pessoas na Europa deixarem de ter emprego ou uma competência que lhes permita voltar a ter trabalho? 

De acordo com os dados da OCDE, mais de 65% das crianças de hoje vão ter empregos que ainda não foram inventados.

 

Uma ideia que acaba por ser defendida por Stuart Ellman quando afirma que “há um conjunto de empregos que deixam de ser feitos pelas pessoas e passam para os robots, mas também podem nascer muitos outros. Neste momento não sabemos se será bom, sabemos apenas que as pessoas vão ser substituídas”.

 

Já o jornalista Luke Dormehl, da Digital Trends, alertou para o perigo de as máquinas não serem usadas apenas para aquelas tarefas que ninguém quer fazer e recordou um estudo divulgado em 2014 que revelava que, no futuro, quase metade dos empregos que hoje estão atribuídos a pessoas poderão passar a ser desempenhados por robots.

 

Humanóides?

Quando se assiste a este debate vêm sempre à memória os filmes de ficação científica que focam este tema da asceção das máquinas ou dos humanóides que ganham capacidade de sentir, de ter emoções.

 

Foi precisamente neste tópico que outros dois especialistas em robótica se focaram. Os robots devem ou não agir e parecer-se com os humanos? Ben Goertzel, da Hanson Robotics, e Andra Keay, de Silicon Valey Robotics, esgrimiram posições opostas.

 

Em apenas 20 minutos, Ben Goertzel defendeu a necessidade de criar robots semelhantes aos humanos, garantindo ter muitos clientes que lhe pedem máquinas que se pareçam com as pessoas, não só em termos de semelhanças físicas mas também que possam identificar e ter emoções.

É importante que sejamos transparentes e que se saiba sempre que estamos a lidar com robots 

“E se as pessoas nos pedem, então devemos dar-lhes o que nos pedem”, defendeu Ben Goertzel, garantindo que a sua empresa planeia vender esses protótipos que “serão capazes de criar ligações emocionais com os humanos”.

 

No futuro, “os robots vão ser capazes de perceber os nossos sentimentos e vão conseguir ligar-se a nós”, defendeu Ben Goertzel, para quem a inteligência artificial deve continuar a ser explorada nesse sentido até porque “há pessoas que preferem ter um robot como assistente pessoal a ter uma pessoa”.

 

Já Andra Keay entende que deve haver uma clara distinção entre humanos e robots: “Só porque queremos uma coisa, não significa que a devemos fazer. Sou fascinada por humanoides robots, mas não precisamos deles”, defendeu a especialista em robótica, criticando a ideia de se poder criar máquinas à semelhança das pessoas.

 

“É importante que sejamos transparentes e que se saiba sempre que estamos a lidar com robots”, defendeu Andra Keay.

 

As diferentes opiniões serviram para provar que é crucial uma discussão mais séria e célere sobre este tema para evitar aquilo que muitos cépticos consideram como a concretização de uma profecia onde as máquinas acabam por se sobrepor aos humanos.

 

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